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Futebol Entrevistado

“Acho que nasci com este carinho especial pelo futebol” – Tatiana Pinto

Tatiana Pinto tem 25 anos, joga no Sporting desde 2016/17 e é uma das melhores jogadoras portuguesas da actualidade.

Joga no centro do terreno e concedeu-nos uma entrevista em que aborda alguns momentos da sua carreira, desde os primeiros passos no futebol, as suas experiências no estrangeiro, as suas ambições, entre outros assuntos.

RD: Como surgiu a tua paixão pelo futebol e quando o começaste a praticar?

Tatiana: Ou se nasce ou se ganha o gosto, no meu caso, acho que nasci com este carinho especial pelo futebol. Desde sempre que me lembro de jogar à bola. Tive aulas de piano e fiz maratonas no atletismo mas não era nada disso que me preenchia. Quando aos 6 anos surgiu a oportunidade de me juntar a uma equipa de rapazes, nem pensei duas vezes. Comecei no Oliveira do Bairro Sport Clube, onde fiz toda a minha formação. Um grande obrigada a eles, por sempre me terem tratado tão bem e de igual forma.

RD: Como correram as experiências no Sand da Alemanha e no Bristol da Inglaterra?

Tatiana: Confesso que no Sand as coisas não correram da melhor forma, tinha 18 anos quando fui e não estava mentalmente preparada para um desafio daqueles. No entanto, conheci pessoas que me ajudaram muito e que até à data ainda mantenho contacto. Em Bristol foi realmente tudo diferente. Eu já tinha a percepção das coisas e já sabia o que ía encontrar. Ao início foi difícil, porque o nível de exigência era máximo, mas todas as minhas colegas foram super simpáticas e ajudaram-me a integrar. Costumo dizer que Bristol foi o meu “switch mind”, porque foi onde eu percebi que, se queria ser mesmo jogadora profissional, então eu tinha de trabalhar muito e não fazer só o normal, porque isso nunca chega. Bristol ficou para sempre no meu coração.

RD: Tens alguma ou algumas histórias que nos possas contar sobre essas duas aventuras?

Tatiana:  Em Sand posso dizer que as internacionais tinham um grupo, pois vivíamos todas juntas. Então semanalmente fazíamos jantares temáticos de cada país, era sempre uma animação. Em Bristol tenho muitas histórias, mas para vocês perceberem o nível de exigência, a pre época era tão dura que eu, por vezes, nem conseguia sentar-me numa cadeira sem ter dores.

RD: De que forma avalias esta temporada a nível individual e coletivo?

Tatiana: Quando colectivamente as coisas não correm da melhor forma, a nível individual fica difícil nos afirmarmos. Não foi uma época boa, não cumprimos os objetivos aos quais nos propusemos e isso abalou-nos. Mas o futebol é isto, é imprevisível e cheio de surpresas. Só nos resta refletir e aprender com os erros que cometemos. É certo que seremos melhores no futuro.

RD: Quais são os teus objectivos para as próximas épocas? 

Tatiana: Os meus objetivos são sempre altos, por isso, ganhar todas as competições em que estivermos inseridas. Especialmente, jogar de novo na Champions League. Na seleção, que seja um ano de coisas boas e que o apuramento para o campeonato da Europa em 2021 seja uma realidade.

RD: Em quais aspectos do jogo te consideras mais forte e em quais necessitas de melhorar?

Tatiana: Penso que tecnicamente sou evoluída e disciplinada taticamente. Acima de qualquer outra valência, acho que sou uma jogadora inteligente (risos eheheh).

Nunca ninguém sabe tudo e a vida e o futebol são uma constante aprendizagem, por isso, todos os dias eu aprendo coisas novas para continuar a minha evolução.

RD: Apesar da notória evolução o que falta ao futebol feminino português para atingir outros patamares?

Tatiana: Falta tempo. Caminhamos a passos bem largos mas ainda falta tempo. Bom era que todas as equipas da liga fossem profissionais para que o compromisso fosse total. Faltam ainda patrocínios que apostem fortemente no futebol feminino português, como se vê em Espanha ou em Inglaterra, por exemplo. Falta uma série de coisas mas há tanta qualidade em Portugal nas gerações mais jovens. O Sporting tem tido um papel preponderante na formação das atletas. As condições que nos oferecem são de topo, o que nos permite estar a um bom nível. Importante referir que a Federação Portuguesa de Futebol tem feito um investimento enorme no futebol feminino, impulsionando assim este crescimento tão rápido. Estaremos no topo, com toda a certeza.

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