Fábio Cardoso em entrevista ao Remate Digital

Nesta entrevista concedida ao Remate Digital, Fábio Cardoso abordou alguns assuntos da sua carreira.

O central de 24 anos assinou esta temporada pelo Santa Clara depois de ter estado uma época no Rangers. Nos Açores tem sido uma opção indiscutível para João Henriques e até já apontou 2 golos. Antes disso formou-se no Benfica, jogou de seguida na equipa B, passando depois ainda pelo Paços de Ferreira e Vitória FC. Tem um passado ligado às selecções jovens e por isso não esconde também o sonho de atingir a Selecção A. Termina ainda contando algumas histórias curiosas que já viveu na sua carreira.

RD: Estiveste vários anos no Benfica. Na tua opinião o que faltou para teres conquistado o teu espaço na equipa principal?

Fábio Cardoso: Felizmente tive a oportunidade de fazer toda a minha formação no Benfica e inclusive cheguei a ser convocado para a primeira equipa num jogo da taça contra o Olhanense. Na minha opinião faltou um bocado de sorte, o futebol é o momento, na altura preferi sair para ganhar experiência de primeira do que continuar na equipa B talvez se tivesse ficado a oportunidade tivesse surgido mas também é algo de que não me arrependo porque o ano e meio que estive no Paços de Ferreira foi muito importante no meu desenvolvimento como jogador.

RD: De que forma avalias a experiência vivida no Rangers? Foi fácil a adaptação ao futebol escocês e trabalhar com o Caixinha?

Fábio Cardoso: Considero como uma experiência bastante positiva que me fez crescer como pessoa e como jogador. Joguei bastante, infelizmente tive o azar de partir o nariz e consequentemente de terminar a segunda metade da época com poucos jogos.

A adaptação foi fácil, o jogo é um bocado mais físico mas também isso era importante porque era algo que eu sentia que faltava no meu futebol. O clube é de uma dimensão enorme, com adeptos do outro mundo e fui sempre bem recebido por parte deles. Inclusive tinha alguns portugueses comigo com quem aprendi muito, destaco o Bruno Alves porque é da minha posição e uma das minhas referências e das referências de Portugal e cresci muito como jogador a trabalhar e a aprender com ele.

A minha relação com o Caixinha é ótima, confiou em mim para aquele projeto e eu tentei corresponder sempre. Ainda hoje mantemos uma boa relação e foi um prazer trabalhar com ele.

RD: O Santa Clara tem sido uma das surpresas deste início de campeonato. Acreditas que têm condições para continuarem assim?

Fábio Cardoso: Acredito claro, sabemos que vai ser um campeonato difícil com altos e baixos mas temos um ótimo grupo, somos uma família e vamos dar sempre tudo para que as coisas nos continuem a correr bem.

RD: Com a falta de soluções para o centro da defesa da Selecção Nacional, achas que tens hipótese de lá chegar em breve? Sentes-te preparado para uma oportunidade que possa surgir?

Fábio Cardoso: Eu não sou de acordo, eu acho que a seleção tem bastantes soluções e cada vez mais estão a aparecer e a afirmar-se novos centrais e de qualidade.
Claro que me sinto preparado mas sei que não vai ser do dia para a noite e neste momento estou concentrado em afirmar-me com boas exibições e jogando com regularidade. É um sonho que espero vir a concretizar e estou a trabalhar para quando essa oportunidade surgir corresponder o melhor possível.

RD: Tens alguma história engraçada/caricata vivida no futebol que nos possas contar?

Fábio Cardoso: Tenho bastantes, fica até complicado enumerar uma, mas as histórias mais caricatas e que me dão mais prazer é quando entro em campo e tenho o privilégio de encontrar do outro lado amigos que fizeram a formação comigo.
A geração de 94 sempre foi uma geração muito unida e ainda hoje o é.

RD: Podes nos contar um dessas histórias?

Fábio Cardoso: A mais caricata que me aconteceu foi com os meus pais e a minha namorada. Íamos jogar fora ao Guimarães e eu não consegui arranjar bilhetes então eles tiveram que comprar e já só dava para comprar para a zona dos adeptos do Guimarães. Eles sabiam que não se podiam manifestar mas aos três minutos fiz golo, era o meu primeiro golo na Primeira Liga e eles não se contiveram. Tiveram que ser evacuados para a zona dos nossos adeptos que já estavam a ser “ameaçados”.

Diretamente a mim aconteceu-me na altura em que fui para o Paços, fiz as malas preparei tudo e na noite anterior fui a um jantar para me despedir quando estava a chegar a casa tinha um pneu furado. Tive de acordar quase de madrugada no dia a seguir para arranjar uma solução para fazer a viagem. Para piorar depois fiquei hospedado no hotel do Paços e tinha tudo no carro, estava a tirar algumas malas do porta bagagens e quando fecho a mala lembro-me que deixei a chave lá dentro. Fiquei preocupado porque tinha as chuteiras na mala e não queria dar má imagem logo no primeiro dia. A sorte foi que felizmente um senhor conseguiu tirar-me a chave forçando um vidro do carro e acabou por correr tudo bem.

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