Nuno Correia da NCfoot em entrevista ao Remate Digital

Desta vez decidimos mudar o foco das nossas entrevistas e estivemos à conversa com o Nuno Correia. Um empresário que gere a NC Foot – Gestão de Carreiras Desportivas.

Aos 34 anos Nuno Correia lidera esta empresa que gere a carreira de jogadores como João Afonso(Vitória SC), Costinha(Vitória FC), Kikas(Belenenses) ou Filipe Brigues(Chaves).

Numa pequena entrevista conta-nos como surgiu a decisão de enveredar por esta área, de que forma está organizada a empresa, entre outros assuntos.

1- Antes de seguires o caminho de empresário também desempenhaste funções de olheiro e director em clubes. O que te levou a enveredar por este ramo?

NC: Sim é verdade. O que me levou a enveredar por este ramo foi o acreditar que poderia fazer algo de diferente neste mundo, e sobretudo devido a vários amigos meus que me incentivarem para tal, ao dizerem que eu era muito próximo dos jogadores, que criava empatia com eles facilmente. Para além disso, sempre gostei de descobrir/apostar em jogadores e ajudá-los a melhorarem a sua vida/carreira, não só no plano desportivo mas consequentemente na vertente financeira.

2- Explica-nos como está organizada a NCfoot. Quantas pessoas trabalham neste projecto? E quantos jogadores agenciam?

NC: A NCfoot – Gestão de Carreiras Desportivas é liderada por mim, que sou o proprietário da empresa, e depois tenho dois colaboradores em quem confio a 200 por cento, o Rúben Penim e o Bruno Cunha. Digamos que nós os três somos um só. Nem sempre estamos em sintonia, mas isso também é bom, pois a visão diferente de todos, acredito que nos torna mais fortes,e “6 olhos/3 cabeças” pensam/vêem melhor do que apenas uma pessoa só. Depois temos vários observadores/amigos espalhados por esse Portugal fora, que nos gostam de ajudar, aconselhando jogadores e estando sempre atentos ao mercado. Temos também uma contabilista, um advogado e uma pessoa responsável pela edição de vídeos. Depois temos também parceiros espalhados um pouco por todo o mundo. Actualmente representamos 38 atletas, 8 dos quais ainda nos escalões de formação.

3- A partir de que idade consideras aceitável um jovem jogador começar a ser agenciado?

NC: Infelizmente, vemos os jovens a serem agenciados cada vez mais cedo. Acho totalmente descabido ver atletas com 14 anos a serem já agenciados, contudo, se a “lei do mercado” é essa, temos que nos moldar à mesma e “entrar” nas regras do jogo. Não tenho uma idade definida para vos poder responder, é muito relativo e é uma questão que daria para muitas horas de conversa.

4- Conta-nos o negócio ou alguns dos negócios mais complicados que já tiveste pela frente.

NC: Todos os negócios têm a sua complexidade. Talvez a transferência do nosso avançado Ricardo Barros do Cova da Piedade para o Gwangju FC. Por ser uma transferência internacional. Por envolver valores já consideráveis. Por ter envolvidos, no negócio, mais que duas partes, por estarem intervenientes de culturas e mentalidades diferentes etc etc. Mas registe-se, são esses negócios que nos fazem crescer e evoluir neste mundo, pela experiência que nos trazem e pela forma como temos que reagir ás adversidades.

5- Tens alguma história engraçada que nos possas contar que tenhas vivido no mundo do futebol?

NC: Já passei por algumas situações caricatas, mas existem situações que não podemos contar em público (risos). A maior delas talvez tenha sido quando um determinado presidente, na negociação contratual, não sabia sequer o nome do jogador e a proveniência do mesmo (risos).

6- Como é que lidas com uma situação em que o jogador que representas está sem espaço no clube?

NC: Ninguém gosta de passar por essas situações, mas estamos cá para as resolver. Cada caso é um caso, podem ocorrer essas situações por diversas razões. Pode ser por política desportiva do clube, pode ser por questões contratuais, pode ser por falta de aposta do treinador etc etc. Tento lidar da melhor forma possível e sobretudo ser o mais justo possível, defendo sempre os interesses dos meus jogadores.

7- No geral com que intervenientes é mais fácil lidar? Jogadores ou clubes?

NC: Cada caso é um caso. Cada jogador tem a sua personalidade e cada clube tem a sua forma de trabalhar, portanto seria injusto dizer qual dos dois é mais fácil de lidar. O segredo passa sempre por tentar resolver os problemas quando eles acontecem, e, havendo boa vontade, de todas as partes, consegue-se sempre chegar a bom porto…

8- Actualmente quais são os empresários mais poderosos em Portugal e no mundo? E quais a médio/longo prazo terão capacidades para chegar a esse patamar?

NC: A minha experiência diz-me que no futebol tudo muda muito rapidamente e um negócio tudo pode alterar na vida das pessoas/empresas. Nesse contexto, poderia ser injusto e ingrato da minha parte mencionar quem quer que fosse, no que ao futuro diz respeito. Actualmente, sou da opinião que temos o melhor empresário do mundo, o Sr. Jorge Mendes. 

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