Fátima Pinto em entrevista ao Remate Digital

Fátima Pinto tem 22 anos representa o Sporting e é também internacional por Portugal. A centrocampista madeirense vive a sua terceira época no clube leonino.

Antes disso começou por jogar com rapazes, passou depois pelo futebol de 7 já em feminino, até receber um convite do Ouriense para rumar ao continente e jogar finalmente futebol de 11. Depois de ter conquistado uma dobradinha pelo clube de Ourém mudou-se para o Santa Teresa de Espanha onde esteve duas épocas antes de assinar pelo Sporting.

RD: Inicialmente jogaste numa equipa masculina certo? Como foi essa experiência?

Fátima: Sim, foi uma experiência muito boa. Eu jogava à bola com os rapazes em todos os intervalos e ainda nas atividades extra-curriculares e, foi daí que surgiu o convite por parte dos meus amigos para que fosse jogar com eles para o clube (Juventude AC), com 9 anos.

RD: Segue-se o GD Apel, ainda na Madeira, mas agora a nível feminino. Sentiste muitas diferenças nessa passagem?

Fátima: Aos 13, na impossibilidade de continuar a jogar com os rapazes fui para GD Apel. As diferenças eram enormes a nível de treino, passei de 4 treinos semanais para 2 onde basicamente fazíamos exercícios de aquecimento e jogo, onde a intensidade era menor. Lembro-me que se estivesse a chover o treino era cancelado e isso com os rapazes era impensável… Chateada com a situação ia treinar sozinha.
Quando comecei a ir à seleção sub-19 senti que não ia conseguir aguentar aquele nível muito tempo, porque na Madeira jogávamos futebol de 7 com 30′ cada parte. Posto isto, pedi ao meu antigo treinador para voltar aos treinos com os rapazes.

RD: Como surge depois a oportunidade de deixares a Madeira para assinares pelo Ouriense?

Fátima: Várias jogadoras do CA Ouriense representavam a seleção sub-19 e quando fomos ao Europeu os dirigentes do clube viram os jogos e entraram em contacto comigo.

RD: No Ouriense conquistas a dobradinha. Como foi essa primeira época a um nível mais alto?

Fátima: Com 17 anos, jogar uma Liga dos Campeões, jogar na primeira divisão e conquistar a dobradinha foi o realizar de vários sonhos de criança. Fui muito feliz no Ouriense.

RD: Rumas depois a Espanha. Quais são as principais diferenças que encontraste relativamente ao futebol feminino português?

Fátima: O campeonato espanhol para mim é um dos 4 melhores da Europa. É super competitivo e exigente, sobretudo numa equipa de meio de tabela, que era o meu caso. Gostava de um dia voltar a jogar lá.

RD: Como avalias essa experiência no Santa Teresa CD?

Fátima: Foi uma experiência complicada. Apesar de jogar sempre, não estava feliz sobretudo no 2ⁿ ano. Não me identificava com a ideia de jogo do treinador.
O melhor desta experiência foi poder jogar contra grandes equipas que tinham jogadoras como eu nunca tinha visto.


RD: De que forma encaraste depois a oportunidade de regressar a Portugal para representar o Sporting? Nem pensaste duas vezes?

Fátima: Fiquei entusiasmada só de pensar que poderia vir a representar o Sporting CP e fazer o que mais gosto em Portugal.

RD: Qual foi a sensação de estares presente na primeira participação de Portugal numa fase final de um Europeu?

Fátima: Foi o realizar de um sonho que não esperava alcançar tão cedo.
Fui chamada pela primeira vez com 16 anos para um estágio de observação e um dia antes desse estágio acabar o professor Paisana disse-me: “não desfaças a mala que daqui a 3 dias estás aqui connosco outra vez. Vais ao Europeu.” Confesso que no momento fiquei sem reação e lembro-me da professora Marisa rir-se e dizer: “ela não tem noção do que acabas de dizer.”
E não tinha, mas estava super feliz.

RD: O que falta ao futebol feminino português para atingir patamares superiores?

Fátima: Falta interesse e investimento. Eu acredito que a formação é das fases mais importantes para qualquer atleta. Em Portugal a maioria das raparigas não têm formação, o que dificulta os processos mais tarde.
Outra razão é o facto da liga não ser profissionalizada. 80% das atletas não têm possibilidade de dedicar-se apenas ao futebol e treinam depois de um longo dia de trabalho ou de aulas.

RD: Tens alguma história engraçada ou caricata que tenhas vivido no mundo do futebol que nos possas contar?

Fátima: Tantas… sobretudo de praxes.
Quem tem uma Petra Niceia (Ouriense) ou uma Ana Borges na equipa tem sempre histórias engraçadas para contar. Mas são coisas de balneário, um dia quando deixar o futebol conto-vos.

RD: Quais são as tuas referências no futebol feminino e masculino?

Fátima: Gosto muito do Cristiano Ronaldo e da Marta.

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