Carolina Mendes em entrevista ao Remate Digital

Na sequência das entrevistas que estamos a realizar ligadas ao futebol feminino conversamos também com a Carolina Mendes.

A internacional portuguesa de 30 anos que actualmente joga no Sporting abordou vários momentos da sua carreira.

Os primeiros passos na modalidade, as aventuras no estrangeiro, o inesquecível momento em que marcou o primeiro golo de Portugal numa fase final de um Europeu, o regresso ao nosso país para representar o Sporting e naturalmente também a realidade e actualidade do futebol feminino português foram alguns dos assuntos abordados pela ponta de lança portuguesa.

RD: Como surgiu a tua paixão pelo futebol e quando começaste a praticar a modalidade? É verdade que também jogaste hóquei em patins?

Carolina: Eu joguei hóquei em patins desde os 5 anos portanto era a minha modalidade de eleição. Mais tarde, com 16 anos por convite de um amigo comecei a jogar futebol por brincadeira e na verdade revelou-se mais tarde a modalidade onde viria a singrar.

RD: Na fase em que te mudaste para o estrangeiro era impossível em Portugal alguém viver apenas do futebol feminino sem ter de conciliar com um emprego? E actualmente?

Carolina: Atualmente é possível, apesar de ser uma minoria de equipas, em outras alturas isso era impensável.

RD: Nos anos em que estiveste fora de Portugal, conheceste 5 países diferentes. Foi fácil a adaptação a cada um deles? Quais foram as principais diferenças que encontraste face a Portugal?

Carolina: Inicialmente a adaptação é o que mais custa, mas eu por norma adapto-me bem a novos desafios, novas situações, novos países e penso que foi bastante fácil. Depois o futebol joga-se de igual modo em qualquer parte do mundo. E eu adoro viajar portanto foi bastante fácil para mim.

RD: Qual foi a sensação de marcares o primeiro golo de Portugal numa fase final de um Europeu?

Carolina: Foi um misto de emoções, obviamente positivas, não dá para explicar muito bem, mas foi a euforia total… Estava super feliz pelo momento.

RD: O que te levou a voltar a Portugal nesta época para assinar pelo Sporting e quais são tuas expectativas para este regresso?

Carolina: Querer voltar a “casa” e as condições de trabalho que o Sporting me proporcionou.

RD: Quais foram os clubes que mais te marcaram até ao momento na tua carreira e por quais razões?

Carolina: Rossiyanka na Rússia devido às condições do clube e ao país e Riviera di Romagna em Itália devido ao grupo de trabalho.

RD: O que falta ao futebol feminino português para atingir patamares superiores?

Carolina: Nós estamos no caminho certo, prova disso são os resultados da seleção portuguesa contra grandes potencias mundiais. Ainda falta muito caminho, mas tudo isto é um processo e tudo leva o seu tempo. Profissionalizar todos os clubes portugueses para tornar o campeonato mais competitivo iria ajudar ao desenvolvimento do futebol feminino. Aumentar o número de praticantes com a competitividade e equipas femininas de escalões mais pequenos.

RD: Tens alguma história engraçada ou caricata que tenhas vivido no mundo do futebol que nos possas contar?

Carolina: Historias há sempre muitas, lembro-me de ficar parada numa auto-estrada com uma scooter em Itália, que a mota nem estava registada e nós não sabíamos de nada. Levamos uma multa gigante. Na Rússia não entendia nada do que eles falavam.

RD: Quem gosta de futebol, costuma gostar de jogar videojogos. Como reagiste à inclusão do futebol feminino por parte da EA SPORTS no FIFA?

Carolina: Reagi com muito otimismo, já devia ter sido feito há mais tempo. É sinal da evolução e do impacto do futebol feminino a nível mundial. Agora esperemos que Portugal também possa estar no jogo muito brevemente.

RD: Quem é a tua referência no futebol masculino e feminino?

Carolina: Ronaldo e Marta.

RD: Já pensaste o que vais fazer no futuro? Desejas continuar ligada ao futebol como treinadora por exemplo ou pensas apostar em outra área?

Carolina: Não gosto muito de pensar no futuro mas estudei Fisioterapia. Em principio deve ser nisso que vou trabalhar… Não sei… De preferência estar ligada ao desporto.

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