Futebol Entrevistado: André Simões

Em mais uma edição do Futebol Entrevistado, apresentamos a todos vós a nossa entrevista ao André Simões. O médio português de 27 anos vai para a sua terceira época ao serviço do AEK onde tem tido sucesso a nível individual e colectivo.

 

O antigo jogador de Moreirense, Santa Clara, Padroense, Leixões e Porto(estes dois últimos na formação), falou-nos acima de tudo da aventura entusiasmante que vai vivendo em Atenas e que está claramente a marcar a sua carreira pela positiva, mas não esquece o seu passado e aborda também as possibilidades de regressar a Portugal em breve, o que será pouco provável. Termina ainda com duas histórias curiosas vividas na Grécia.

 

Antes de vos deixarmos com a entrevista, aproveitamos uma vez mais, agora publicamente, para agradecer ao André SImões pela disponibilidade para responder ás perguntas e para lhe desejar as maiores felicidades tanto a nível pessoal como profissional.

 

RD: Qual é o balanço destas duas temporadas ao serviço do AEK na Grécia? Foi fácil a adaptação?

André Simões: Por incrível que pareça a adaptação foi bastante fácil, dois países separados por cerca de 3500 km mas bastante parecidos, na Grécia encontrei um país onde se sente mais o calor, principalmente porque chegamos em Julho para os primeiros treinos da época, onde se sente o maior calor. Encontrei um colega de equipa português, o que também me ajudou bastante nos primeiros dias. O Helder Barbosa ajudou-me imenso e fez a minha ligação com o resto da equipa e até com a cidade em si, porque me foi mostrando vários sítios.

Quanto à comida também foi relativamente fácil, como um pouco de tudo, aqui também se come muitas saladas, muito peixe, que eu adoro. Tudo foi perfeito.

Quanto às 2 épocas, foram bastante positivas, consegui realizar cerca de 70 jogos, fui um dos jogadores mais utilizados na equipa, conquistamos uma taça da Grécia logo no 1º ano e o que já não acontecia há 5 anos e logo frente ao nosso maior rival, o Olympiakos. No 2º ano atingimos novamente a final, depois de eliminar o Olympiakos, mas desta vez perdemos a final frente ao Paok. Depois conquistamos o 2º lugar do campeonato no playoff. o que nos dá a oportunidade de disputar a 3ª eliminatória da Champions League.

 

RD: Os adeptos gregos têm a fama de apoiarem imenso, mas também de serem algo complicados. Qual a tua opinião sobre os adeptos do AEK e de toda a Grécia em geral?

André Simões: Os adeptos são bastante desordeiros, mas mais uns com os outros, do que propriamente com os jogadores dos seus clubes. A mim não me faz qualquer tipo de confusão, nunca se excederam conosco, tem a ver com a paixão que vivem cada jogo, são espetaculares e penso que em todo mundo deveria haver adeptos assim, passam o jogo todo a puxar pela equipa, fazem um espetáculo de pirotecnia único. É realmente excitante entrar num campo destes. É algo único que nos dá bastante força.

 

 

RD: Achas possível o AEK ou outra equipa “roubar” o domínio do Olympiacos nos próximos anos?

André Simões: Claro que sim, acreditamos sempre que é possível conquistar o título de campeão. Vamos fazer tudo para que isso seja possível. É verdade que eles têm dominado , mas um dia vai ter que acabar, quem sabe se não é já este ano. Nós estamos a crescer ano a ano depois do clube ter passado por uma situação económica bastante complicada em anos anteriores. E também o facto de já termos conquistado a taça e o 2º lugar significa que estamos cada vez mais perto desse título que será marcante para o clube.

 

RD: Que principais diferenças encontras entre o futebol português e o grego?

André Simões: Nesse aspecto penso que se notam bastantes diferenças. O campeonato português já é um dos melhores da Europa, as 3 grandes equipas tem provado isso, quando chegam tão longe nas competições europeias ano a ano. Quer dizer que não é uma questão de sorte, Porto, Benfica e Sporting são equipas muito respeitadas a nível europeu. São equipas muito bem estruturadas com grandes orçamentos. O campeonato grego está uns pontos atrás do português. Temos 4 equipas grandes , mas penso que depois se nota alguma distância das outras equipas gregas. Outra aspecto são os campos, em Portugal todos os campos têm boas condições, relva curta, bons balneários… aqui ainda se apanham alguns estádios onde as condições se tornam bastante difíceis para quem quer jogar um bom futebol!

 

RD: A crise que se vive na Grécia tem afectado o futebol?

André Simões: Sim, claro…. como em todos os países onde se vive a crise. A crise financeira afeta todas as áreas. Isso creio que toda a gente e todos os trabalhadores o sentem, claro que uns mais que outros, é um facto. O futebol ainda é uma das modalidades onde se ganham os melhores salários. Por isso, mesmo não sendo afetado pela crise do país, claro que sei que os orçamentos seriam bastante superiores se a Grécia vive-se uma situação financeira melhor, como já foram em outros tempos.

 

 

RD: Achas possível, a curto prazo, o regresso a Portugal?

André Simões: Isso é algo que todos os jogadores desejam, ter sucesso no seu país, jogar num grande. Mas é algo que sei que seria bastante difícil no momento, até porque tenho contrato com o AEK, tenho mais 2 anos de contrato e os valores da cláusula são bastante altos. Mas estou muito feliz aqui, completamente adaptado ao futebol, ao país e ao clube, portanto é algo que fica em aberto, talvez mais tarde, no futebol tudo é possível.

 

RD: Até ao momento, qual o clube mais marcante da tua carreira?

André Simões: Sem duvida o AEK, mas creio que todos os clubes onde te sentes bem e acarinhado te marcam um pouco na tua vida. O AEK porque foi o clube que me projectou na Europa, porque foi o primeiro grande clube que representei, o primeiro clube onde conquistei um título, o primeiro clube onde disputei um jogo da liga Europa, mesmo sendo uma pré eliminatória e também em menos de 1 mês um jogo de acesso à Liga dos Campeões , porque foi o clube que me deu a minha independência financeira, por tudo. Pelo carinho que sempre mostraram por mim, pela vontade que as pessoas têm que eu continue a fazer parte deste clube. Mas também nunca vou esquecer cada passo e cada degrau da minha carreira profissional, desde o Padroense de Augusto Mata , passando pelo Santa Clara e depois o Moreirense  o meu primeiro e único clube até agora na 1ª liga portuguesa.

 

RD: Quais são as tuas referências no mundo do futebol?

André Simões: Na verdade não tenho assim nenhum jogador como referencia única, adorava ver o Zidane, foi o jogador que mais me encheu as medidas por tudo aquilo que fazia e em Portugal era fã do Rui Costa. Depois comecei a gostar de Iniesta e Xavi. Agora gosto de ver o Arturo Vidal pela paixão que põe sempre em cada lance do jogo, um dos melhores médios do mundo e o Modric porque é um gênio que aprendeu a ser trabalhador também. Basicamente sempre gostei muitos de médios talvez por procurar entender sempre o que eles fazem em cada lance.

 

 

RD: Qual foi o treinador que mais te encheu as medidas?

André Simões: Pergunta difícil. O atual treinador do AEK, Manolo Jiménez , por tudo aquilo que conquistou no futebol, é uma referencia do Sevilha. Por ter dado muito à nossa equipa, por ter mudado a maneira como jogávamos, trouxe bastante experiência e agressividade que nos faltavam. Pela abertura que tem com os jogadores e também pela boa relação que tenho com ele. É uma pessoa que me tem ajudado muito

 

RD: Tens alguma história engraçada que tenhas vivido a nível futebolístico que possas contar aos nossos leitores?

André Simões: Engraçadas não tenho mas tenho 2 histórias que me marcaram um pouco, por terem sido com jogadores que eu admiro. A 1ª passou-se no dia em que cheguei à Grécia, minutos antes da minha aterragem, tinha chegado o Essien, recebido por 5 mil adeptos do Panathinaikos em grande euforia. Eu fui recebido por 5 jornalistas e 5 adeptos. No final da temporada o Essien estava de saída do clube, considerado a pior contratação do ano. E eu fui considerado o melhor negócio do ano. Foi algo engraçado e que vou recordar para sempre. A 2ª história foi com o Berbatov, a sua primeira expulsão de toda a carreira, foi num jogo AEK – Paok , sobre mim, foi notícia em todos os jornais desportivos. Estávamos a ganhar esse jogo , quando lançam o Berbatov e creio que passaram a jogar com 2 pontas de lança, eu conhecendo bem as suas virtudes sabia que não lhe podia dar espaço nem tempo para pensar , ou íamos correr sérios riscos. Então andei uns 10 min sempre colado a ele, não o largava. Ele não estava a gostar nada daquilo, começou a ficar irritado. Quando num cruzamento eu comecei a agarrá-lo, a bola é tirada pela nossa defesa e ele numa tentativa de se libertar agride-me com o cotovelo.

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