O que esperar do Mundial 2018?

A bola está prestes a rolar nos tapetes russos. Os 736 jogadores das 32 seleções que vão marcar presença na Rússia já estão nos respetivos quartéis generais. Os adeptos já não conseguem pensar noutra coisa a não ser no… Rússia – Arábia Saudita. O jogo inaugural pode não entusiasmar, mas marca o início de mais uma aventura quadrienal que gera um turbilhão de emoções.

O segundo dia de Mundial traz como “cabeça de cartaz” o duelo entre Portugal e Espanha, e a partir daí seguem-se alguns encontros que prometem colar os espetadores ao ecrã, durante cerca de um mês.

Os candidatos e os favoritos

Quando pensamos em Mundial, surgem “vozes” nas nossas cabeças que nos levam a pensar em quem irá vencer o torneio. Se, por um lado, temos de contar com “os do costume”, é certo que algumas seleções que não são favoritas à vitória – nas quais se inclui a portuguesa – também espreitam uma oportunidade para erguer o tão ambicionado troféu.

Alemanha, Espanha e Brasil (não necessariamente por esta ordem) surgem como os favoritos à conquista do 21º Mundial de Futebol. Os atuais campeões do Mundo apresentam-se com a base que levou à glória da Mannschaft, em 2014.

Com um elenco excecional, soluções mais que válidas para todas as posições e, ainda, alguma irreverência juvenil (como são os casos de Werner, Sule, Goretzka e Brandt), a maior surpresa acaba por residir nas redes alemãs. Apesar da época excecional na baliza do Barcelona, Low relegou Ter Stegen para o banco e mantém a confiança em Manuel Neuer, que irá ser o nº1 da baliza germânica.

Ao contrário da Alemanha, o Mundial de 2014 foi um verdadeiro pesadelo para os espanhóis. Eliminados na fase de grupos no último Campeonato do Mundo e depois do fracasso no Euro 2016, o universo espanhol quer agora dar uma resposta. Mas, como “depois da tempestade vem a bonança”, a Espanha vem demonstrando uma qualidade soberba desde a saída de Vicente Del Bosque. Lopetegui (já confirmado como novo técnico do Real Madrid), à semelhança do que fizera Fernando Santos quando assumiu o cargo de selecionador nacional, convocou alguns futebolistas que não eram presença regular na seleção e pareciam esquecidos por Del Bosque. Com um eixo defensivo soberbo e um meio campo excecional, é na frente de ataque que residem as maiores dúvidas da seleção espanhola. Com Isco encostado à esquerda e David Silva sobre a direita, os espanhóis ficam sem a presença de um extremo “puro” no onze inicial. Por sua vez, a posição 9 parece ser a que mais opções oferece, apesar de ainda existirem muitas dúvidas acerca de quem ocupará essa função. Mas quem tem Rodrigo, Diego Costa e Iago Aspas, certamente não ficará muito preocupado se jogar um em detrimento de outro.

Por último, o Brasil é apontado pela maioria dos órgãos de comunicação social como o principal candidato. Depois da humilhação no seu próprio país (quem não se lembra do célebre 7-1), os canarinhos parecem uma seleção com outra identidade. Tite assumiu o comando da equipa e perdeu apenas um dos 22 jogos que disputou, mostrando solidez defensiva e brilhantismo no ataque (47 golos marcados e 5 sofridos). A utilização de Coutinho no meio campo em detrimento de Fernandinho veio libertar a equipa e proporcionar a entrada de elementos do setor intermediário junto à grande área. Com Neymar recuperado e os índices anímicos em alta, a seleção brasileira parece mais determinada do que nunca a conquistar o “hexa” e assume-se como um dos principais candidatos.

 

Favoritos à parte, surge também um núcleo de potenciais vencedores do torneio, nomeadamente França, Bélgica e Portugal. Sobre a seleção francesa ainda se devem fazer notar alguns pesadelos do pontapé certeiro de Éder no último Europeu em terrenos gauleses. A França surge neste torneio como a seleção mais valiosa (segundo o transfermakt) e possui um dos melhores elencos dos 32 presentes na Rússia. A juventude e a irreverência são as principais armas da seleção gaulesa, que faz do contra ataque o seu ponto forte. Sob o leme de Mbappé e Griezmann, a equipa de Deschamps tem tudo para mostrar que também consegue ser forte coletivamente e arrecadar o prémio de campeã mundial.

A Bélgica, à imagem da França, é acusada de não rentabilizar as individualidades de que dispõe. Com um onze que joga, maioritariamente, na Premier League, a verdade é que a formação belga não se tem conseguido impor nas últimas competições. Esta que é considerada a “geração de ouro” belga tem agora uma excelente oportunidade de demonstrar que está pronta para um desafio deste calibre e, tal como disse Eden Hazard, “é agora ou nunca”.

Já Portugal, à semelhança do que aconteceu em 2016, “vai lá jogar e depois logo se vê no que dá”. É este o espírito da seleção nacional à partida para o Mundial. Ganhar jogo a jogo e tentar repetir o feito de há dois anos. Com a presença de Ricardo Pereira, Ruben Dias, Bruno Fernandes, Gelson, Bernardo, Guedes e André Silva, a seleção lusa ganha a irreverência que não possuía em 2016. “Sangue novo” a entrar nos quadros das Quinas e jovens jogadores com enorme potencial, que dispõem de todas as condições para oferecer o título de campeão mundial a “este país à beira mar plantado”. E não esquecer Ronaldo. Depois de ganhar mais uma Champions, o capitão português mostra-se motivado para, ao lado desta juventude com qualidade inegável, dar grandes dores de cabeça aos adversários.

As seleções do Perú e da Sérvia apresentam-se não como candidatas, mas como possíveis surpresas da competição. A formação peruana opta por um estilo de jogo atrativo e, confirmada a presença do capitão Paolo Guerrero na Rússia, têm tudo para chegar longe na prova. Por sua vez, a equipa sérvia dispões de um leque de jogadores e soluções excecional e, embora a história em competições deste tipo não lhes seja favorável, o que é certo é que podem causar surpresa em terreno russo e ir além dos oitavos ou quartos de final.

Os “adeuses” e as promessas

O Campeonato do Mundo será um excelente palco para os jogadores se mostrarem. É uma “montra” para as jovens promessas a despontar no futebol mundial. Mas, cumprindo o ciclo da vida, há quem diga “adeus” à seleção nacional neste Mundial da Rússia.

Alguns dos jogadores que convém manter debaixo de olho durante este Mundial são Hakim Ziyech, Sergej Milinkovic-Savic e Hirving Lozano.

Ziyech é marroquino e atua pelo Ajax. É um médio ofensivo esquerdino e atua frequentemente sobre o lado direito. Tendo feito toda a formação no Herenveen, transferiu-se em 2014 para o Twente e, mais tarde, para Amesterdão. Cobiçado pelos gigantes do futebol europeu, Hakim Ziyech tem agora oportunidade de dar “o salto”.

Milinkovic-Savic é um nome bem conhecido dos acompanhantes da Serie A. Apesar de ainda não se ter afirmado como titular indiscutível da seleção sérvia, Sergej foi uma das figuras da Lazio e do campeonato italiano. É um médio poderosíssimo e já foi, inclusive, comparado a Zidane. Pretendido por Real Madrid e Manchester United, os responsáveis do clube romano já fizeram saber que não pretendem vender o passe do jogador e que não aceitarão qualquer proposta abaixo dos 100 milhões de euros.

Hirving Lozano estreou-se esta temporada na Europa, mas já confirmou os predicados que trazia do México. Com apenas 22 anos, o extremo ex-Pachuca assumiu-se como um dos principais elementos do PSV, onde foi o melhor marcador da época. Cobiçado por Chelsea e outros emblemas de nomeada inglesa, Lozano caracteriza-se pelo drible e velocidade, mas também por alguma agressividade e indisciplina.

Se há quem esteja a dar os primeiros passos na construção de uma carreira de grande nível, há também quem se esteja a despedir dela. Andrés Iniesta, uma figura incontornável dos últimos torneios entre seleções, fará na Rússia as suas últimas aparições com a camisola de ‘la roja’. Foi um prazer, Andrés!

O Mundial da Rússia surge também como um verdadeiro teste de fogo para as maiores estrelas do futebol mundial. Depois de uma década de disputa da Bola de Ouro entre Ronaldo e Messi, conseguirá Neymar levar o Brasil à conquista do ‘hexa’ e arrecadar o prémio de melhor jogador do mundo? É esperar para ver, mas uma coisa é garantida: este Mundial promete. Que role a bola!

Artigo de opinião enviado pelo nosso leitor André Cruz.

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