De dispensável a fundamental num piscar de olhos

Desde que chegou a Portugal no início de 2015 para representar o Marítimo, Moussa Marega já viveu um pouco de tudo.

Começou por dar boas indicações logo nessa meia temporada. O seu impressionante poder físico e os 8 golos apontados em 16 jogos chamaram à atenção. Na época seguinte, deu seguimento a isso com 7 golos em 18 jogos. No entanto nem tudo foi bom nessa passagem pela ilha da Madeira. A indisciplina do maliano fez-se notar em algumas ocasiões. Era notório que tinha alguma dificuldade para gerir os seus comportamentos em certos momentos mais quentes do jogo.

Além disso, as suas capacidades técnicas para representar um clube de maior dimensão eram colocadas em causa, mas nem isso impediu o Porto de avançar para a sua contratação em Janeiro de 2016, sendo que o Sporting também esteve interessado.

Só que a meia temporada no Dragão não correu nada bem ao avançado. Treze jogos, um golo e acima de tudo exibições pouco convincentes. Era visto como um jogador “trapalhão”, “sem capacidade para representar o Porto”, “um mau investimento”, entre outras coisas. Em Alvalade muitos adeptos até se sentiam “aliviados” por não terem contratado Marega que até teve direito a uma frase irónica num clássico entre os dois clubes: “Mete o Marega”. Se calhar agora algumas pessoas não conseguem admitir que o disseram, se calhar outros mantêm a opinião, mas foi aquilo que muito se ouviu pelo país fora.

Na época seguinte Marega foi emprestado ao Vitória SC e este é um momento fundamental da sua carreira. Fez 10 golos nos seus primeiros 8 jogos e nos principais campeonatos europeus ninguém tinha um melhor registo.

Mas, na jornada seguinte reapareceu a indisciplina. Agressão a um jogador do Nacional ainda numa fase inicial da partida e um gesto à saída do relvado que deixou os adeptos furiosos. Apanhou três jogos de castigo e passou de herói a vilão para a exigente massa associativa do clube minhoto.

No entanto, Pedro Martins conseguiu recuperar o jogador que até final da época(com CAN pelo meio) apenas marcou mais quatro golos mas foi fundamental com várias assistências e boas exibições que ajudaram a equipa a atingir o 4º lugar e a final da Taça. Marega parecia um jogador renovado na atitude dentro do campo. Aprendeu a saber usar a agressividade e raça apenas no bom sentido e conquistou o respeito dos adeptos vitorianos apesar dos anteriores problemas de indisciplina e de ser um jogador emprestado.

No verão regressou ao Porto, mas convém referir que inicialmente nem era certo que ficasse no plantel azul e branco. Apesar da boa temporada em Guimarães a opinião geral, que recordamos no início deste texto, não tinha mudado muito…

Marega fez ver que tinha algo para dar e logo na primeira jornada deste campeonato entrou ao minuto 32 e fez dois golos. Soube aproveitar a lesão de Soares e começou a convencer o universo portista.

Daí para a frente os números falam por si. 22 golos em 27 jogos da Liga. Apenas marcou um golo nos 12 jogos das restantes competições, mas até os resultados do Porto durante a sua lesão demonstram a sua importância. Em 5 jogos que não pode dar o seu contributo apenas venceram 2, perderam outros 2(as únicas derrotas na Liga) e empataram o outro.

Resumidamente este é mais um caso que demonstra como Sérgio Conceição fez muito com aquilo que na teoria parecia pouco. Marega passou claramente de um jogador muito criticado, gozado e visto como dispensável para alguém fundamental num curto espaço de tempo. Provavelmente o seu estilo de jogo pode continuar a não ser apreciado por algumas pessoas, e isso é outro assunto, mas a sua importância no sucesso dos dragões é inquestionável.