Futebol Entrevistado: Xavier

Numa pequena entrevista concedida ao Remate Digital, Xavier falou sobre alguns momentos do seu passado, da experiência que está a viver no Paços de Ferreira, das suas ambições para o futuro e abordou ainda os recentes problemas e clima de suspeição que têm afectado o futebol português.

RD: Fizeste a tua formação no Vitória SC, mas não continuaste na passagem para sénior. Qual foi a razão?

Xavier: Fiz toda a minha formação no VSC desde os meus 6 anos até aos 18, infelizmente na altura o final da minha formação não coincidiu com o aparecimento das equipas B, e não se olhava para a formação da mesma maneira que se olha hoje, pelo facto de existir mais dinheiro na altura.

RD: Como foi dar os primeiros passos como sénior pelo Tourizense na extinta 2ª B(actual CPP)?

Xavier: Foi uma experiência muito enriquecedora, experiência essa em que cresci muito, pois soube o que é a realidade da maior parte dos clubes em Portugal, em que não existiam as regalias que tinha no VSC, mas fui muito feliz, fiz muitos amigos e uma época fantástica que me levou para outras paragens.

RD: Quando surgiu o interesse do Braga foi fácil a decisão ou em algum momento o teu passado ligado ao eterno rival te fez hesitar?

Xavier: Foi estranho confesso, mas nós acima de tudo temos de ser profissionais, e na altura era a única proposta que tinha em mãos e por isso não poderia rejeitar.

RD: Jogaste na equipa B, foste emprestado ao Feirense e Leixões. Qual a razão para nunca teres recebido uma oportunidade na equipa principal do Braga?

Xavier: Na altura confesso que a adaptação não foi a melhor, era o primeiro ano das equipas B em que se dava prioridade aos jogadores da equipa A que jogavam menos, desciam à equipa B para ganhar tempo de jogo, senti algumas dificuldades para jogar por isso mesmo e decidi no ano seguinte sair pois precisava de jogar.

RD: Estiveste três anos no Marítimo. Faz-nos um resumo dessa passagem pela Madeira e explica-nos a razão de teres voltado ao continente.

Xavier: Três anos fantásticos. Clube que me deu a oportunidade de me estrear na Primeira Liga pela mão do Mister Leonel Pontes, que me deu a oportunidade de jogar duas finais da Taça da Liga e alcançar o acesso a uma Liga Europa. Clube e Região que me ficaram marcadas para sempre também pelo nascimento do meu filho e também por isso mesmo foi uma das principais razões para querer vir para perto de casa.

RD: Foi fácil a adaptação ao Paços de Ferreira? Fala-nos um pouco de como tem corrido a temporada a nível individual e colectivo.

Xavier: Muito fácil, clube fantástico a todos os níveis e que desde o presidente ao roupeiro me proporcionaram a melhor recepção e adaptação possível. A nível pessoal tem corrido muito bem, tenho 33 jogos, 29 dos quais para o campeonato a titular e os restantes para as taças, levo 8 assistências o que é importante para quem joga na minha posição, só faltam os golos(risos). A nível colectivo esperava-se uma época mais tranquila, dada a qualidade do nosso plantel, mas tenho a certeza que conseguiremos os nosso objectivos.

RD: Como lidaram com as trocas de treinador ao longo da época? Os três são muito diferentes na forma como trabalham e na ideia de jogo que têm?

Xavier: Nunca é uma situação fácil, penso que as trocas de treinador é um pouco o reflexo da nossa época e sim todos eles um pouco diferentes, mas três excelentes treinadores com grande futuro.

RD: Quais são os objectivos que tens estabelecidos para os próximos anos da tua carreira?

Xavier: Primeiro quero este ano ajudar o Paços a conseguir a manutenção que é o mais importante e claro como ambicioso que sou penso em dar o salto, ou cá em Portugal ou para fora, que é um grande desejo que tenho, que é emigrar e experimentar outras ligas.

RD: Em que estilo de jogo te sentes mais confortável? Numa equipa que privilegie o contra-ataque ou numa equipa que assume mais o jogo?

Xavier: Eu considerava-me um jogador forte em transições, contra-ataque, mas este ano por aquilo que me foi pedido tanto pelo Mister Vasco Seabra como agora pelo Mister João Henriques consegui evoluir muito e hoje sou um jogador que varia e que se sente confortável com o jogo interior e mais de posse, como com o jogo exterior mais de contra-ataque.

RD: Quais as pessoas que têm sido mais importantes na tua carreira?(treinadores, colegas de equipa, família, etc)

Xavier: Penso que todos eles foram importantes na minha evolução como jogador e homem claro que uns me marcaram mais do que outros. Em relação à família, o meu filho, a minha mãe, a minha namorada, os meus irmãos e toda a minha restante família são o meu pilar e por quem luto.

RD: Que medidas achas que deviam ser tomadas para acabar com estas constantes polémicas que têm afectado o futebol português? Como se sentem os jogadores perante este lamentável clima de suspeição que são alvo?

Xavier: É uma pergunta difícil pois não estamos a caminhar para aquilo que queremos para o futebol português, mas penso que menos tempo de antena para pessoas que nem sequer andam no futebol e que só tem como função incendiar o futebol português seria bom, penso que falo por todos quando sinto tristeza e alguma revolta com toda esta suspeição à nossa volta sem fundamento.

Queremos aproveitar para agradecer, agora publicamente, a disponibilidade do Xavier e do Paços de Ferreira para conceder esta entrevista.